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SINOPSE DE CHLOE, AS TRÊS FACES DE UM TRIÂNGULO AMOROSO

O sexo com meu marido, antes exuberante, ficou apático, caiu na mesmice.

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Foi o destino, a imensa frustração no casamento de seis anos e a profunda carência afetiva que me levaram aos trinta e dois anos a tomar coragem e ousar oferecer uma carona ao Leo.

 

A partir desse dia pequei, sofri, arrisquei, mas também cresci e aprendi muito sobre mim mesma.

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Ele foi o único homem que viu em mim mais que um belo corpo, mais que a mulher bonita que queria seduzir. Enxergou o ser humano complexo, multidimensional; detectou meu espírito faminto; encorajou-me a ser livre, voar e a perseguir meus sonhos e fantasias.

 

Hoje, anos depois, minha mente viaja àquele passado distante. Morro de saudades dos namoros pelas ruas e praças da Vila Mariana, de fazer amor com ele nos motéis; de sentir sua pele na minha, seu sabor na minha boca; da nossa imagem nos espelhos.

 

São sensações nunca vividas antes dele, e que, duvido, viverei novamente com intensidade, profundidade e sabor semelhantes.

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ALGUNS DEPOIMENTOS DE LEITORES

“Chloe é um livro dirigido a homens e mulheres. Explora as múltiplas facetas e a complexidade que existe em todos os relacionamentos”. Ilana Miranda / Advogada

"Brilhante".​ Maria da Penha / Economista

“As cenas de amor e sexo são entremeadas por poesias, demonstrando a grande sensibilidade do autor". Osmar Koxne / Artista Visual

“Chloe é uma obra envolvente”. Claudionor Dias da Costa / Economista e Empresário

"A leitura de Chloe me fascinou porque o romance captura essa realidade de uma forma singela, apimenta a narrativa com situações poéticas e eróticas". Marli Balboni / Empresária

"Um livro que me instigou a refletir". Doralice de Oliveira Drago ; Psicoterapeuta

"Impossível ficar indiferente...". Bete Martins / Artista Plástica

"Um novo olhar sobre o romance, amor e o sexo, que viaja pela psique de forma coerente, e nos faz refletir". Alexandrre Tavares / Escritor e Roteirista

"É um livro que faz a gente pensar e continuar a refletir mesmo depois de terminá-lo". ​Camila da Silva /Psicóloga

Análise Freudiana de Chloe

Um dia, uma grata surpresa chegou em meu e-mail.

 

Era uma mensagem de uma leitora de Blumenau. Nela, a Dra. Camila Silva dizia que tinha gostado tanto do livro que, antes mesmo de terminar sua leitura, escreveu uma análise freudiana sobre a personagem principal, Chloe.

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Obviamente, fiquei muito feliz e lisonjeado ao ler sua mensagem.

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Respondi dizendo que ficaria honrado se ela me permitisse publicar seu artigo aqui no site.

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Aqui está o artigo da Dra. Camila exatamente como ela me enviou.

Chloe - Uma leitura psicanalítica
Por: Camila da Silva, Psicóloga, Blumenau

A leitura da obra Chloe de A. K. Covillon foi fascinante sob vários aspectos.

 

Um deles foi que o livro me compeliu a analisar a personagem principal, Chloe, sob a luz da psicanálise.

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Para começar, é sempre importante destacar que, na psicanálise, o analista sempre trabalha a partir do desejo da pessoa que ele atende. E, de maneira geral, isso é levado para vida também. Aqui temos a libido fundamental e primordial para a nossa vida cotidiana, sem nos darmos conta muitas de nossas decisões no fundo podem ser influenciadas pela libido.

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Em Chloe, percebo as atitudes dela relacionadas diretamente com sua estrutura psíquica. Arrisco-me a afirmar que há traços evidentes de neurose, mas, além disso, às vezes aparecem traços de obsessão. Parece-me que quando ela está a um passo de fazer tudo fluir, recua, para dentro da sua própria repetição.

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Vale ressaltar que "Repetição", na psicanálise, trata-se da atitude de reeditar situações já vividas, trazendo-as para os dias atuais. É como se uma situação traumática fosse se repetindo ao longo da vida, até que esta cadeia se "quebre", com a "superação" do sintoma, ou seja, do episódio traumático.

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Isso é mais comum do que acreditamos. A Repetição aparece de diversas maneiras, em diversos contextos de nossas vidas. Basta pararmos para analisar as situações, tomadas de decisão e tudo que fazemos ao longo de nossas vidas.

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Em Chloe, é notável quantas vezes ela esteve diante de, finalmente, atravessar a Repetição, vencendo barreiras, por exemplo, finalizar seu casamento e para assumir seu próprio desejo, sem necessariamente atender a demanda do outro (o que o outro julga como certo, ou ainda, o que o outro a faz "sentir-se obrigada" a tomar tal atitude).

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Ela estava a um passo de dizer “sim” ao seu desejo inconsciente, em duas dimensões distintas:

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  1. Terminar o casamento;

  2. Depois, restaurar o casamento.

 

Nos dois momentos ela atribui ao outro, sua decisão, e nunca ao que verdadeiramente queria. Embora enalteça a sua necessidade de independência, parece que a trama de sua vida sempre se prende no terceiro (pessoas ao seu redor que a compeliam a fazer algo).

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É curiosa a forma como o livro trata isso. Chloe renuncia a si mesma em diversos contextos. Tanto diante do casamento (o fato de o marido a ter ameaçado e "mandou", deu a ela o alicerce para aceitar a situação), quanto no caso com Leo (no qual ela também arranjou argumentos para se esquivar e culpar a ele). Em outras palavras, ela não conseguiu arcar com as responsabilidades de suas decisões. Assim, ficou muito mais fácil resignar-se à demanda do Daniel.

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​Afinal é difícil e complicado, da noite para o dia, aceitarmos nossos próprios desejos inconscientes. Eles estão relacionados com muitos pontos de nossa personalidade e constituição psíquica que quando vêm à tona podem trazer sérias angústias.

 

Por isso Chloe, de alguma forma, chega "quase lá" e fica no "quase", renuncia. Porém, quando, em análise, é possível "furar" essa Repetição, o sujeito passa a ter novas perspectivas, olhares e aceita com mais clareza os próprios desejos (o que não significa que ela ficaria com Leo, mas sim, que entenderia suas próprias responsabilidades com mais precisão).

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Aqui ela poderia até refletir: "beleza, não era exatamente o que eu queria, mas é o que temos pra hoje", no entanto, ela prefere culpar outra pessoa, de novo.

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Acho interessante que alguns traços de Chloe podem demonstrar o que chamamos de "passagem ao ato", que é quando se sai do campo do discurso abstrato para uma atitude mais concreta, que poderia moldar o futuro da pessoa. No caso dela, ao descobrir a traição de Daniel, automaticamente contou sobre Leo. Tenho a impressão que, ao falar para ele, ela saberia (de modo inconsciente!) o que aconteceria em seguida. Ou seja, novamente tiraria de si a responsabilidade pelo término do casamento (que agora teria a traição como motivo), para prender-se em Daniel, através da verdade que lhe fora revelada. De um modo ou de outro, surgiam empecilhos que ela mesma poderia plantar no decorrer de sua história, para prender-se ao casamento que ela tanto desejava "sair".

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Por que ela revelou sua paixão pelo Leo naquele momento? Seria um ato falho? Talvez! Acho que a atitude fica entre a gangorra da passagem ao ato e do ato falho.

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Vale ressaltar que o fenômeno da Repetição, as reedições que vamos vivendo, está presente na vida de todos. Nossos relacionamentos denunciam Repetições. Nossos gostos, trabalho, tudo. O livro Chloe retrata com precisão o quanto repetimos atitudes em nossas vidas mesmo que sejam funestas e prejudiciais. Isso fica especialmente claro quando, no último capítulo, ela reflete sobre seu passado e devaneia sobre a possibilidade de viver futuramente uma aventura semelhante.

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Com essas pinceladas termino esta análise superficial da personagem principal do livro. O que escrevi não termina de forma alguma a análise de uma hipótese diagnóstica de estrutura neurótica do personagem Chloe.

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A obra Chloe definitivamente não é um simples romance erótico. Além de ser uma leitura agradável o livro me levou a pensar e refletir em várias dimensões.

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De fato foi uma leitura fascinante.

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